Momento de análise é um programa gerado na Rádio Criatividade-Recife-PE, que vai ao ar todas as quintas-feira, as 09:00 hs, conduzido pelo Psicanalista Gilson Tavares.

Um espaço para refletir sobre a vida, sobre o sentido do existir, sobre os males da vida cotidiana e sobre a vida na sociedade contemporânea.

Discutindo e refletindo temas comportamentais e do desenvolvimento humano: dos diversos transtornos... que causam os sofrimentos psíquicos, além das problemáticas inerentes ao existir humano, recebendo como convidados: profissionais das áreas da psicologia, da psiquiatria, da psicanálise, da neurologia e de outras áreas das ciências humanas.

Você também pode participar, não apenas como ouvinte, mas interagindo com o programa. Através do email momentodeanalise@bol.com.br, você pode
dar sua contribuição, fazendo comentários a respeito de temas em questão, ou sugerindo temas para reflexão.

Espero a sua participação! VÍDEOS SEMANAIS!
Gilson Tavares

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Angústia: que destinho dar à ela ? - 27.09.12

Angústia-que destino lhe dar 

 

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Limites: que filhos estamos construindo ?




Essa semana, algumas noticias na TV me chamaram a atenção. Infelizmente notícias que se repetem à cada dia. Violência e agressividade dentro de salas de aula, atos de vandalismo, quebra-quebra em escolas, provocado por alunos que deveriam preservar o seu lugar de estudo, violência provocada por pessoas da mesma família, entre tantas outras notícias da mesma linha.

E isso me levou à refletir sobre uma palavra – LIMITES – e à uma pergunta – QUE FILHOS ESTAMOS CONSTRUINDO ?

Segundo especialistas, Limites são regras ou normas de conduta que devem ser passadas para as crianças desde a primeira infância, pois, a imposição de limites é parte essencial da educação de uma criança, o que possibilita melhor equilíbrio quanto ao seu desenvolvimento moral, psíquico, afetivo e cognitivo, organizando suas relações sociais.

Ao colocar regras para as crianças, as preparamos para a vida real, onde nem tudo acontece do jeito e na hora que se quer.

Para os estudiosos do comportamento humano, os limites são importantes para a formação da personalidade. São eles que vão ajudar a criança a desenvolver a capacidade de suportar as frustrações.

Um dos mais conceituados especialista em educação de filhos, o psicólogo americano Laurence Steimberg, costuma dizer que as crianças devem ser apresentadas ao conceito de limites desde muito cedo, para que se tornem indivíduos bem adaptados ao mundo adulto.

É sabido que bebês que são criados sem disciplina, tendem a tornar-se adolescentes e adultos que não sabem adiar seus desejos, tendo dificuldades em lidar com seus próprios impulsos e, até mesmo, com a realidade.

A falta de limites pode provocar desgastes na relação familiar, excesso de punição e sentimento de culpa nos pais.

A birra da infância, pode transformar-se, mais tarde, em agressividade, violência ou depressão.

Atualmente, as famílias estão passando por uma crise, onde a passagem da opressão da liberdade que era o modelo de educação que se tinha, um modelo cheio de privações, vem sendo substituído por um modelo baseado na liberdade, onde satisfazer os desejos e vontades dos filhos é a norma, a fim de compensar a ausência em casa, não participando diretamente na rotina dos  filhos  na hora de corrigir e orientar.

A insegurança dos pais modernos tendem a valorizar aos mínimos desejos dos filhos, saindo de um extremo para outro – onde os filhos não tinham nenhum direito para outro onde os filhos têm todos os direitos e ditam as normas.

Alguns problemas nesse modelo foram encontrados por especialistas, que pioram a educação que os pais dão para as crianças atualmente.

O fato do pai e da mãe sempre evitar que seus filhos fiquem frustrados, é um deles, que é quando ele é super protegido de tudo e de todos.

O consumo de produtos excessivo é outro, pois tudo o que os filhos desejam de novidade os pais compram.

Levam-nos a todos os lugares que querem ir, só para satisfazer a vontade, e assim os pais acham que ficam mais amigos e mais próximos, quando na verdade, deveriam preencher a vontade deles com boas escolhas e procurando formas de desenvolver a sua criatividade.

A super-proteção e a satisfação de todos os desejos, longe de ser o melhor que os pais fazem pelos filhos, na verdade, com esse comportamento, os pais tiram dos filhos a oportunidade de crescerem, não permitindo que eles sejam expostos às frustrações e perdas, que são situações inevitáveis na vida.

Hoje, até uma palmada não se pode mais aplicar à um filho, pois, segundo novas leis, isso é considerado agressão, e, em conseqüência desse ato, seu filho se tornará uma pessoa violenta no futuro.

A prerrogativa de que uma criança que recebe uma palmada se tornará um adulto violento parece pouco consistente, pois, dificilmente uma criança se torna violenta por causa de uma palmada, mas sim por ser espancada violentamente.

Pais que não sabem diferenciar um espancamento de uma palmada devem, esses sim, serem encaminhados para responderem pelos seus atos.

Na Espanha, paia que também aprovou a Lei da palmada, os filhos que agridem os pais física e psicologicamente são um problema para a Justiça do País. Segundo a Procuradoria Geral do Estado, 8 mil pais denunciaram seus filhos no último ano. O número mais que triplicou desde 2007.

E, mesmo com essa crescente de denúncias de pais contra as agressões dos próprios filhos, estima-se que somente um a cada oito pais agredidos lutem na Justiça contra seus filhos. "Denunciar é difícil. É reconhecer que não se consegue controlar um adolescente, que não se colocou limites. E fica a culpa, a vergonha e o medo de tudo continuar sem solução", desabafa a presidente da Associação de Famílias pela Convivência (Afasc), uma organização anônima, e que prefere não ser identificada.

Talvez, voltando para a nossa realidade, Em vez de proibições e Leis, surtisse mais efeito trabalhar valores morais e éticos, e sobretudo o respeito. Palavra que anda muito fora de moda.

Para estudiosos das mudanças comportamentais na família, 80% das crianças dos anos 80 recebeu dos pais uma palmada. A educação era rigorosa e voltada para o respeito ao mais velho e ao próximo.

Palavrinhas mágicas como: Bom dia, boa tarde, com licença, a bênção pai, benção mãe eram percebidas com facilidades no meio das crianças. As reuniões em famílias, em volta da mesa também, o diálogo era comum.

Dificilmente se via no noticiário que filho matou pai ou vice-versa. Tudo consequência de uma educação de pulso firme, baseada em um pilar chamado família.
Para esses estudiosos, O valor ‘família’ está sendo deixado de lado e isto é refletido na educação de filhos.

A sociedade presencia uma geração de adolescente altamente violenta, bem diferente da geração, que tinha temor pelos pais, pais que eram exemplo de respeito e caráter. Quando era comum compreender uma ordem com um simples olhar.

Infelizmente hoje não é mais assim. As crianças crescem com uma liberdade descomunal, crescem com pais que perderam, de certo modo, os valores de família, que hoje não é mais a base da sociedade.

Como conseqüência, vemos estatísticas como:

No ano passado, a rede pública de Saúde da região do Grande ABC atendeu, em média, dois adolescentes e crianças com problemas de drogadição por dia. Ao todo, 705 pacientes com até 18 anos deram entradas em unidades especializadas; em 2010, foram 636 acolhimentos. O aumento foi de 11%.

Apesar de não haver levantamento específico, os conselhos tutelares da região também observam aumento da procura de pais por ajuda para filhos envolvidos com drogas. Geralmente, segundo os conselheiros, as famílias recorrem ao órgão em busca de apoio quando estão desesperadas.

Estudos salientam que as crianças que são criadas em ambientes pobres nos quais os pais são apoiadores, tendem a apresentar menos comportamentos delinquentes do que as crianças igualmente pobres de famílias menos apoiadores em relação ao aspecto emocional. 

Logo, não é a condição socioeconômica que determina as predisposições a comportamentos deliquentes, mas sim a presença ou ausência do apoio emocional da parte dos pais para com seus filhos.

Especialistas listam alguns dos principais erros dos pais na hora de impor limites:
Fazer ameaças que não podem cumprir;
Recompensas por atitudes que deveriam ser a regra;
Elogios
Dar ordens não claras;
Falta de consenso entre pais e mães;
Falta de firmeza na ordens dadas;
Se prolongar demais nas explicações

E o que fazer ?

Existe uma fórmula para impor limites de forma mais correta ?

Talvez não. Talvez o mais importante seja que cada pai, cada mãe, encontre a sua maneira mais correta.

O ideal seria que as famílias apresentassem uma maior flexibilidade para aceitar e adaptarem-se as mudanças sociais sem perder de vista, valores firmes.

Uma boa interação familiar propicia um desenvolvimento mais saudável aos adolescentes e crianças.

É importante os pais saberem que os filhos não vão deixar de amá-los porque receberam um não. Muito pelo contrário, vão se sentir protegidos, vão criar o sentimento de que os pais se importam com eles.

Até porque, segundo um dos psiquiatras mais conhecidos do País, se os pais forem liberais em excesso podem errar por deixar os filhos muito soltos, se os pais forem mais próximos dos filhos, podem errar por não lhes deixarem tomar as próprias decisões. Então, de um jeito ou de outro, os pais sempre estarão sujeitos à errarem.

Dessa forma, talvez, o mais importante seja procurar fazer o seu melhor, sabendo que não vai perder o amor do seu filho por se importar com ele.


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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Escolhas e caminhos - Momentos de análise 13.09.12

Escolhas e caminhos : para onde conduzimos a nossa vida 

 

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Saúde emocional - Momento de análise 30.08.12

Saúde emocional: a busca do equilíbrio



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domingo, 12 de agosto de 2012

O que lhe faz feliz ? - Momento de análise 09.08.2012


Você é feliz ?

Do que depende a sua felicidade ?

Um bom emprego ? uma casa na praia ?  um carro novo ?

Você procura a felicidade dentro ou fora de você ?

Por que nos preocupamos tanto com a questão do ser feliz ?

Você acredita que existe realmente uma situação de felicidade completa ?

Ou que a vida é feita de momentos de felicidade ?

A questão da busca da felicidade é algo tão essencial que escutamos constantemente que “o ser humano nasceu para ser feliz” e isso torna-se quase uma obrigação, ou mesmo uma obsessão.

Existem pessoas que são tão obcecadas na busca dessa tal felicidade completa que, para isso, são capazes dos atos mais impensados.

Existem pessoas que, mesmo nos momentos em que deveriam está felizes, ficam tão preocupado em se estão se divertindo ou não, se estão felizes ou não, que acabam realmente não curtindo o momento, e deixando passar o que poderia ser um momento de felicidade.

Na nossa cultura atual, que valoriza de forma excessiva o consumo, a felicidade está muito atrelada ao ter, ao possuir bens econômicos, a ter os último lançamentos da moda, do mundo eletrônico, e por aí vai.

Segundo artigo da revista Mente e cérebro, os artigos caros podem deixá-lo mais satisfeito, mas não tornam a vida mais feliz. A empolgação de comprar um carro esportivo novo ou uma TV de plasma de 50 polegadas desaparece rapidamente. É a ciência comprovando que ter dinheiro ajuda, mas não basta. É preciso ter outros valores para poder tornar a vida mais satisfatória.

E essa busca incessante por se sentir feliz acaba boicotando o que é realmente ser feliz. Quem pensa em construir o seu bem-estar baseado em consumir, nunca vai poder está satisfeito com a sua vida, pois sempre haverá algo que ele não possui. Quem vive se analisando, se está feliz ou não, com a vida que tem, também acaba não encontrando motivos para se sentir feliz com a sua vida.

Mas afinal, o que é ser feliz ?

Talvez, devamos perceber que o ser feliz é algo que deve está dentro de nós, e não em algo que seja externo a nós.

Ser feliz é se sentir bem com a vida que tem. É valorizar mais os pontos positivos do que os pontos negativos das situações vivenciadas.

Cientistas acreditam que um senso de bem-estar pode reduzir fatores de risco que induzem a doenças cardíacas, como alta pressão sanguínea e colesterol elevado.
Segundo estudos, pessoas felizes e otimistas, além de enfrentam menos risco de sofrerem doenças cardíacas, também têm menos riscos de sofrerem derrames.

Para especialistas, a infelicidade e o pessimismo podem ser uma questão de hereditariedade e da genética, mas, assim como a obesidade, a diabete, a hipertensão, entre outras, a tendência para ter tais característica não significa necessariamente que essas características venham a ser desenvolvidas. É necessário então, mesmo que exista uma herança genética com características para o pessimismo, que a pessoa lute e que busque ajuda profissional, no sentido de encontrar valores internos que contribuam para a construção de uma vida mais satisfatória e feliz.

É constatado também que, as pessoas que enxergam a vida e o mundo com um olhar positivo, tendem a contribuir para a construção de ambientes e situações com resultados positivos, em todas as áreas da vida, enquanto que, pessoas que só enxergam os pontos negativos: nas pessoas, nas situações e na vida, também contribuem para a construção de resultados negativos em todas as áreas da sua vida.

Para ter uma vida mais satisfatória, é necessário também saber que a vida é feita de momentos felizes e também de momentos difíceis. Segundo estudo, emoções negativas melhoram nosso jeito de lidar com o mundo. A raiva nos prepara para lutar, o medo nos ajuda a fugir de ameaças e a tristeza nos leva a ficar atento aos detalhes e a buscar soluções.

Algumas atitudes podem ajudar para que possamos ter uma vida mais satisfatória:

Saber que a felicidade não se encontra no fim do caminho, mas, durante a caminhada;

Saber que é essencial ter um tempo para si mesmo, para olhar para dentro de si, e para encontrar as mudanças que precisa colocar na sua vida;

Saber a diferença entre ter o que precisa para ter um bem-estar na sua vida e precisar consumir apenas por consumir, para poder colocar sentido na sua vida;

Manter uma alimentação saudável e praticar atividade física;
Trabalhar a autoestima, saber que é capaz de realizar os seus sonhos, mas não ficar no sonho, partir pra luta;

Descobrir o que lhe faz bem e se esforçar para se manter nesse caminho;

Fugir do perfeccionismo;
Deixar que a vida siga o seu curso natural, sem ter a pretensão de ter controle sobre as situações;

Manter um equilíbrio nas suas atitudes, evitando sempre as atitudes extremas;

Colocar mais espiritualidade na vida, independente de qual seja o credo religioso.

Ampliar os seus ideais, criando novos horizontes e realizações

Ter um propósito para a sua vida, colocando sentido e motivo para acordar todos os dias. 

Trabalho voluntário cumpre muito bem esse papel.

E finalmente, assumir a responsabilidade pela própria vida. Saber que a sua felicidade não depende de ninguém, apenas de você mesmo.

A sua vida depende de você. Depende do que você fizer com ela.

Então, o que está esperando ? mexa-se.

Descubra o que lhe faz bem, o que lhe faz feliz, o que você quer construir para a sua vida, e parta pra luta.


Escute esse programa, que foi ao ar no dia 09.08.2012




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Conto com sua participação.
Gilson Tavares











 

 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A quem o perdão liberta ? - Momento de análise 02.08.2012

No programa anterior falamos sobre a justiça, o perdão e a obsessão pela vingança, e o quanto essa obsessão pode ser destrutiva na vida daquele que busca esse caminho.
Hoje, vamos falar um pouco sobre o perdão.
Perdoar é libertar. E a quem o perdão liberta ?
Muitas vezes, aquele que nos causou algum mau nem lembra mais do que fez, e nós continuamos alimentando sentimentos de ódio e vingança, tornando-nos pessoas amargas e de mal com a vida. E o pior, as vezes carregamos pela vida afora, mágoas por situações que as pessoas nem sequer perceberam que nos machucaram.
Então, quando perdoamos alguém por algo que nos machucou, a quem realmente estamos libertando ? ao outro, que sequer lembrava mais do ocorrido ? ou a nós mesmos ? que nos libertamos do sentimento de ódio e vingança ?
E o autoperdão ? como estamos lidando com a nossa própria culpa ?
Nada provoca mais sofrimento e angústia do que quando não nos perdoamos por algo que nos sentimos culpados.
Na verdade, o nosso maior acusador somos nós mesmos, quando nos cobramos uma perfeição que não temos, e, dessa forma, não conseguimos manter um bom relacionamento com a  gente mesmo, também refletindo nas relações com as outras pessoas, e, não conseguiremos construir uma vida que seja satisfatória e feliz.
Algumas palavras devem ser lembradas sempre, em relação a nós mesmos e em relação às pessoas do nosso convívio. São elas:
a tolerância;
a flexibilidade;                                                 
o perdão;
a aceitação do outro como um ser imperfeito, aliais, reconhecer que também não somos perfeitos; aprender a enxergar verdadeiramente o Outro, e não apenas o que nos incomoda no outro;
enxergar além das divergências; aprender que, na maioria das vezes, as pessoas erram na tentativa de acertarem;
aprender a Escutar o outro;
aprender que podemos discordar das opiniões sem precisar discordar das pessoas, e que também, podemos aceitar a opinião do outro, sem a necessidade de nos sentirmos diminuídos por isso;
aprender que nem sempre é necessário encontrar um culpado;
aprender que só podemos mudar o outro buscando a nossa mudança primeiro.
Mas, também não estou dizendo que perdoar é o mesmo que esquecer. Seria ingenuidade ou hipocrisia, perdoar e permitir que as pessoas continuassem a nos machucar. Podemos perdoar, libertando-nos da mágoa, mas, podemos perdoar sem permitir que continuem a nos machucar.
Podemos ceder à tentação do caminho mais fácil ... ou aceitar o desafio da superação, mas sempre sabedores de que somos seres sempre em construção, e que o único caminho que temos para desenvolver a inteligência emocional é praticando. Gilson Tavares (psicanalista e Consultor em Desenvolvimento de Pessoas)
A sabedoria superior tolera; a inferior julga; a superior alivia, a inferior culpa; a superior perdoa; a inferior condena. (Augusto Cury)
Escute esse programa, que foi ao ar no dia 26.07.2012

Parte1  

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Gilson Tavares

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Justiça, vingança e obsessão - Momento de análise 26.07.2012


As novelas sempre retratam situações do cotidiano, e, muitas vezes, os autores colocam enredos que despertam em todos os mais variados sentimentos. Sem dúvida, o desejo de vingança é um dos sentimentos que mais afloram, diante de injustiças e atrocidades praticadas pelos vilões.

Segundo o biólogo Keith Jensen, do Instituo de Antropologia Evolutiva de Leipzi, Alemanha, a luta entre a reconciliação e o desejo de vingança é tão antiga quanto a civilização, e dura até os dias atuais.

Para especialistas, a vingança ativa as mesmas áreas no cérebro que são ativadas em atividades prazeirosas, que são chamadas de centros de recompensa.

Muitas vezes, a vingança ganha o nome de justiça, e as pessoas, dizendo estarem fazendo justiça, na verdade, estão alimentando o sentimento de vingança, e não raro, tornam-se capazes de atos até piores dos que motivaram o sentimento de vingança.

Na vingança, está embutido o desejo de fazer o outro sofrer, e em geral, segundo o psiquiatra Luiz Cuschnir, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, contém elementos de raiva, ódio e vergonha.

Para o psiquiatra Isaac Efraim, também de São Paulo, a mágoa é o maior combustível da vingança, e movida por esses sentimentos, a pessoa pode chegar ao estado de depressão e desenvolver verdadeira obsessão pela vingança.

Obsessão como temos acompanhado na novela global Avenida Brasil, onde a personagem transformou o seu objetivo de vida apenas em se vingar dos males sofridos na infância, para isso sendo capaz de passar por cima de todos os seus valores. Como também acompanhamos recentemente em outra novela: Insensato Coração, onde a personagem, machucada, e até indo para a prisão, por conta de atos criminosos do psicopata Léo, transforma-se de antes, uma pessoa honesta, trabalhadora e de bons sentimentos, numa pessoa capaz de atos semelhantes aos de seu algoz, chegando até a planejar homicídios. Tudo no intuito de conseguir a sua vingança.

Segundo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo, o sentimento de vingança é um sentimento emocional que pode gerar disfunções emocionais e até disfunções físicas.

Do ponto de vista emocional, o desejo de vingança pode provocar altos níveis de ansiedade, depressão, pensamentos obsessivos, compulsão e estresse. Do ponto de vista fisiológico, pode causar disfunções relacionadas à liberação de hormônios do estresse, que levam à problemas cardiovasculares e queda no sistema imunológico do organismo.

Segundo o psicólogo americano, Michael McCullough, foi através da vontade de perdoar que a humanidade conseguiu interromper longas espirais de violência provocadas pela vingança, e, como o ser humano está propenso a inevitavelmente cometer erros durante sua vida, nada mais normal que ter um pouco de flexibilidade para lidar com esses erros. Para ele, nós não poderíamos ter evoluído como espécie sem a capacidade de suportar alguns prejuízos de vez em quando.

Para especialistas, a melhor maneira de evitar problemas de saúde provocados pelo sentimento de vingança é incorporar o prejuízo e tocar em frente. E, a melhor maneira de lidar com esse sentimento é não alimentando a memória da dor.

Além do que, pela sensação de prazer sentido no ato da vingança, o ato de vingar-se pode tornar-se um vício. Esse é o grande perigo da vingança, a vítima tornar-se igual ao criminoso, segundo Marjorie Vicente, psicóloga paulista.

Os principais traços de personalidade de quem sempre procura a vingança diante dos males sofridos são: a baixa capacidade de tolerar frustrações; reação de raiva e inconformidade quando não atendido seus desejos; sentimentos de inferioridade; rancor e dificuldade em perdoar.

Alimentando desejos de vingança, o vingador distancia-se da sua própria índole, tornando-se igual, ou até pior, do que o que lhe cometeu algum mal. E para que os problemas, emocionais e fisiológicos, não se agravem, pelo acúmulo de sentimentos de vingança, é necessário exercitar o perdão e a compaixão.

As pessoas mais tolerantes, maduras e espiritualizadas conseguem lidar melhor com os sentimentos e afastar o desejo de vingança de forma mais fácil. Mas, Se não conseguir livra-se do sentimento de vingança e do rancor sozinho, torna-se necessário buscar ajuda profissional.

Algumas atitudes podem ser exercitadas para manter distante os sentimentos de rancor e o desejo de vingança: investir no autoconhecimento, aprendendo a controlar as emoções; trabalhar a autoestima, procurando gostar mais de sí próprio; não alimentar rancores; em vez de apedrejar, questionar as atitudes do outro.

E, acima de tudo, procurar está sempre de bem consigo mesmo.

Escute esse programa, que foi ao ar no dia 26.07.2012





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